Franceses e suíços têm as meias mais fedidas da Europa, diz estudo

Hahaha… uns dias atrás escrevi sobre os bebês fedorentos. Não poderíamos esperar outra coisa na idade adulta, né?

Aqui vai o texto que foi publicado na Uol:

12/10/2011 – 14h20
Franceses e suíços têm as meias mais fedidas da Europa, diz estudo
Da AFP
Em Genebra (Suíça)

Quando o assunto são meias, as dos franceses e suíços são mais fedidas do que as dos alemães ou britânicos. Um estudo feito pela empresa suíça Blacksocks revela que apenas 66% dos homens franceses trocam as meias diariamente, enquanto somente sete em cada dez suíços calçam um par limpo todos os dias.

Na outra ponta da escala de higiene, estão os alemães e britânicos. Um total de 78% deles dizem que trocam as meias diariamente, segundo a pesquisa, que ouviu 3 mil pessoas em seis países europeus.

No geral, 77% dos homens e mulheres pesquisados trocam as meias todos os dias, enquanto 11%, a cada dois dias. Outros 4% vestem um par limpo a cada três dias, e 1% só trocam as meias uma vez por semana.

A frequência de mudança das meias pode estar relacionada ao número de pares que a pessoa possui. Os alemães são os que têm mais pares: 24, em média. Os austríacos vêm em seguida, com 23 pares, antes dos suíços, com 22.

Os franceses são os que possuem menos pares, em média 17, o que poderia explicar por que eles trocam menos as meias do que os outros europeus.”

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Minha velha amiga saudade

Será que é possível fazer um estoque de amor, de carinho e de lembranças que nos ajude a matar a saudade? Acho que esse é um dos dilemas de nove entre dez estrangeiros que encontro morando aqui. Todos não vêem a hora de visitar a família e contam nos dedos os dias que faltam para pegar o avião e aterrissar no colo da mãe, do pai, do irmão, dos amigos… Existe uma expectativa imensa de que alguns dias de convívio ajude a aguentar os próximos longos meses ou anos distantes.

Podemos sentir saudade de tudo e de todos… Sentimos saudade de pessoas queridas que estão longe da gente, saudade daqueles que já se foram e que sabemos que não veremos mais nesta vida, saudade do passado… têm os que afirmam sentir saudade até do que não aconteceu. Mas aí o nome deve ser outro, né?

Saudade é uma velha conhecida minha. Me apego tanto ao que já passou, que acho que nasci com saudades até das minhas vidas passadas. Sou cacarequeira. Guardo objetos, papéis, sentimentos. Assim sendo, a saudade sempre fez parte da minha vida. Mas foi somente quando conheci meu marido e me apaixonei de verdade que aprendi a conviver com ela. Durante mais de dois anos a saudade grudou em mim. Me acompanhava onde quer que eu fosse, não em deixava em paz e até segurava minha mão para atravessar a rua. Eu fechava os olhos achando que ela iria embora, mas lá estava ela nos meus sonhos. Até voz ela tinha, e fazia ligação internacional.

Eu estava pronta para me despedir dela quando peguei o avião para me mudar para a Suíça, mas ela decidiu embarcar comigo. Eu, apertada na classe econômica, e ela bebendo champagne na business class. Nos cruzamos de novo na alfândega e adivinhem? Ela decidiu se mudar para a minha casa. E de mala e cuia!

Deixei de sentir saudade do meu marido para ter saudade dos meus pais, da minha família, da minha cidade, dos meus amigos, do meu país, da minha vida de solteira… Aqui na Europa tive problema com a saudade. Ela ficou rebelde e muito folgada, passou a engordar e começou a ocupar espaço demais na minha vida. Quase enlouqueci.

Daí minha avó faleceu. E a partir deste dia comecei a ver a saudade de outra forma. Essa saudade não dá para matar com um abraço apertado em cumbica nem amenizar com horas de skype. Percebi que ela não iria embora nunca, ficaria para sempre ao meu lado. Com o tempo, então, achei melhor arrumar um espaço para ela, antes que ela o tomasse por si só. Dei casa, comida e roupa lavada, e assim ela entrou de vez para a família.

O curioso é que quem sente esse tipo de saudade, essa saudade de alguém que nunca mais vai voltar, saudade de uma mão que nunca mais vamos segurar e de um carinho que nunca mais vamos receber aprende muito sobre saudade. Aprende a relativar as coisas. Aprende que é até gostoso sentir saudade do cheirinho do seu bebê quando ele está na creche, aprende que um beijo mata a saudade do marido que estava viajando a trabalho, aprende que ligar para os pais e enviar fotos para os amigos alivia a saudade entre um encontro e outro. Aprende que a saudade pode até se tornar uma amiga querida.

E assim os dias vão passando e a saudade vai ficando mais velhinha. De vez em quando até meio esquecida… ultimamente tenho observado uma coisa curiosa: a saudades que mora lá em casa anda mais calma e tranquila. De vez em quando, no fim da tarde, ela se senta ao meu lado no sofá, segura minha mão e ficamos nós duas sorrindo e olhando a esperança tentando engatinhar no chão da sala.

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Sou muito feliz por ter nascido suíça

Sábado tive o desprazer de conhecer uma suíça preconceituosa. Passei meu domingo repassando em minha mente os diversos suíços legais e interessantes que conheci até então para não deixar que essa maçã podre fechasse meu coração para os ”helvéticos”.

Fui convidada para a despedida de solteira de uma amiga francesa. Primeiro jogamos boliche, depois fomos para a casa dela para um “esquenta” (na verdade um ”esfria”), de lá saímos para jantar e deveríamos terminar a noite dançando. Estávamos em sete mulheres: duas suíças, três francesas, uma americana e esta brazuca que vos escreve.

Não é a primeira vez que ouço por aqui comentários negativos sobre estrangeiros, o Brasil ou São Paulo. Alguns chegam a ser hilários, como a de um cara da Sérvia (!!!) que ficou criticando a violência em São Paulo. Outras situações são menos engraçadas, como a de um recém-contratado em uma empresa onde trabalhei que entrou na minha sala para se apresentar e começou a criticar os estrangeiros que moram na Suíça. Quando eu disse que preferia não opinar, pois caso ele não tivesse percebido eu sou estrangeira da cabeça aos pés, ele disse que meu caso era diferente e que eu não era “tão ruim assim” pois era casada com um Suíço (!!!). Não demorou muito e sua língua comprida fez com que ele não durasse na empresa mais que o período de experiência.

Existem ainda os que não cansam nunca… como o marido de uma amiga russa, que toda vez que me encontra conta sua saga no Brasil. Há quinze anos ele esteve no Rio de Janeiro fazendo um projeto em uma favela. A história começa sempre com a sua chegada no Rio. Ele narra que foi direto do aeroporto para Copacabana carregando as malas e os policiais o mandaram correr para o hotel para que não fosse assaltado. Acho essa passagem de sua vida quase épica e me encho de orgulho ao imaginar nossos policiais dando instruções em alemão ou russo, uma vez que essas são as únicas línguas que ele fala. Mas isso é só o começo, pois depois de alguns minutos contando suas aventuras no nosso país perigoso ele termina sempre falando que o Brasil é o lugar mais sujo que ele já viu na vida. Legal, né? E isso na minha casa!! Na terceira vez em que ele repetiu sua historinha desagradável levou de mim um tapa com luva de pelica e espero que tenha entendido o recado.

Mas nada até então se compara à essa mulher que conheci no sábado. Ela se sentou na minha frente durante o jantar e em meio a um sorriso e outro começou com seus comentários xenofóbicos. Falou que tinha se mudado para um vilarejo onde só tinham suíços e nenhum estrangeiro para que seus filhos tivessem contato somente com a cultura daqui. Tudo bem. Depois passou a expressar total incompreensão pelo meu marido cogitar morar em São Paulo, uma cidade onde SÓ tem pobreza e violência. Daí a coisa evoluiu para a pergunta indignada do por que a Suíça deu certo e o Brasil não, e culminou com a frase do dia: “eu sou muito feliz por ter nascido suíça”. Não me levantei da mesa para não estragar a noite da minha amiga. Preferi ficar sentada e estragar a minha.

Para conseguir engolir minha salada e não me afundar em uma mousse de chocolate e arruinar também minha dieta, cortei a discussão dizendo que gostaria de encerrar nossa conversa pois não me sentia bem perto de uma pessoa tão agressiva, mal educada e preconceituosa, que tem a coragem de fazer comentários praticamente racistas em uma mesa com uma brasileira, três francesas e uma americana. Pude sentir como minha resposta caiu como bomba em cima do seu ego. Certamente ela fora educada para ser diplomática e tolerante, então não engoliu bem ser chamada de preconceituosa por uma macaca do terceiro mundo.

Mas tenho que tirar o chapéu: agimos como ladies. Ela terminou sua sopa, pagou sua conta e foi embora. Eu engoli atravessado minha salada, bebi minha caipirinha e segui a noite tentando dando risada com as francesas, a americana e uma suíça super gente boa.

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