Sábado tive o desprazer de conhecer uma suíça preconceituosa. Passei meu domingo repassando em minha mente os diversos suíços legais e interessantes que conheci até então para não deixar que essa maçã podre fechasse meu coração para os ”helvéticos”.
Fui convidada para a despedida de solteira de uma amiga francesa. Primeiro jogamos boliche, depois fomos para a casa dela para um “esquenta” (na verdade um ”esfria”), de lá saímos para jantar e deveríamos terminar a noite dançando. Estávamos em sete mulheres: duas suíças, três francesas, uma americana e esta brazuca que vos escreve.
Não é a primeira vez que ouço por aqui comentários negativos sobre estrangeiros, o Brasil ou São Paulo. Alguns chegam a ser hilários, como a de um cara da Sérvia (!!!) que ficou criticando a violência em São Paulo. Outras situações são menos engraçadas, como a de um recém-contratado em uma empresa onde trabalhei que entrou na minha sala para se apresentar e começou a criticar os estrangeiros que moram na Suíça. Quando eu disse que preferia não opinar, pois caso ele não tivesse percebido eu sou estrangeira da cabeça aos pés, ele disse que meu caso era diferente e que eu não era “tão ruim assim” pois era casada com um Suíço (!!!). Não demorou muito e sua língua comprida fez com que ele não durasse na empresa mais que o período de experiência.
Existem ainda os que não cansam nunca… como o marido de uma amiga russa, que toda vez que me encontra conta sua saga no Brasil. Há quinze anos ele esteve no Rio de Janeiro fazendo um projeto em uma favela. A história começa sempre com a sua chegada no Rio. Ele narra que foi direto do aeroporto para Copacabana carregando as malas e os policiais o mandaram correr para o hotel para que não fosse assaltado. Acho essa passagem de sua vida quase épica e me encho de orgulho ao imaginar nossos policiais dando instruções em alemão ou russo, uma vez que essas são as únicas línguas que ele fala. Mas isso é só o começo, pois depois de alguns minutos contando suas aventuras no nosso país perigoso ele termina sempre falando que o Brasil é o lugar mais sujo que ele já viu na vida. Legal, né? E isso na minha casa!! Na terceira vez em que ele repetiu sua historinha desagradável levou de mim um tapa com luva de pelica e espero que tenha entendido o recado.
Mas nada até então se compara à essa mulher que conheci no sábado. Ela se sentou na minha frente durante o jantar e em meio a um sorriso e outro começou com seus comentários xenofóbicos. Falou que tinha se mudado para um vilarejo onde só tinham suíços e nenhum estrangeiro para que seus filhos tivessem contato somente com a cultura daqui. Tudo bem. Depois passou a expressar total incompreensão pelo meu marido cogitar morar em São Paulo, uma cidade onde SÓ tem pobreza e violência. Daí a coisa evoluiu para a pergunta indignada do por que a Suíça deu certo e o Brasil não, e culminou com a frase do dia: “eu sou muito feliz por ter nascido suíça”. Não me levantei da mesa para não estragar a noite da minha amiga. Preferi ficar sentada e estragar a minha.
Para conseguir engolir minha salada e não me afundar em uma mousse de chocolate e arruinar também minha dieta, cortei a discussão dizendo que gostaria de encerrar nossa conversa pois não me sentia bem perto de uma pessoa tão agressiva, mal educada e preconceituosa, que tem a coragem de fazer comentários praticamente racistas em uma mesa com uma brasileira, três francesas e uma americana. Pude sentir como minha resposta caiu como bomba em cima do seu ego. Certamente ela fora educada para ser diplomática e tolerante, então não engoliu bem ser chamada de preconceituosa por uma macaca do terceiro mundo.
Mas tenho que tirar o chapéu: agimos como ladies. Ela terminou sua sopa, pagou sua conta e foi embora. Eu engoli atravessado minha salada, bebi minha caipirinha e segui a noite tentando dando risada com as francesas, a americana e uma suíça super gente boa.
Se lhe perguntarem de novo por que motivo a Suíça deu certo e o Brasil não, lembre a eles que a Suíça recebe dinheiro sujo da corrupção do mundo todo, tem a maior máquina de lavagem de dinheiro da Europa e é um dos mercados mais rentáveis do mundo de material bélico, perdendo apenas para os EUA e Alemanha (e se quiser, ironize o fato de um país que se diz neutro vender armas). Depois, devolva a pergunta: Ou você acha que o sucesso da Suiça é por exportar chocolate e relógio? Eu já fiz isso várias, mas várias e várias vezes, e no fim são eles que tem que engolir a salada atravessada na garganta.
Sugestão mais do que anotada!!
Nunca encontrei uma dessas, mas sei que existem. Infelizmente tenho encontrado por curto tempo, brasileiros assim, curto tempo, pois desse tipo de pessoa, BR, CH…, quero distancia, quem precisa deles. Que bom que tenha se segurado, pontp tbm pra nos, ja vi e ouvi muitos outros terminar no maior barraco, piorando assim a imagem do BR.
Nao achei nada demais na declaraçao dela, acho até bonito: “eu sou muito feliz por ter nascido suíça”, pois eu tbm, sem querer ser patriota, pois vejo o lado positivo e tenho consciencia do negativo “eu sou muito feliz por ter nascido brasileira”.
Beijos
Continue escrevendo, ja li tudo, aguardo.
Li
Ps.: Louca pra em Basel… Rssss
Amei seu blog… sou casada e há 5 anos moramos na CH; somos de Londrina,Pr. Temos enfrentado bastante pré-conceito, nossa filha mais velha de 12 anos sofreu até mobbing na escola e está melhor agora por a termos transferido de escola, a menor de 8 anos tem tido menos problemas…assim como vc encontrei suíças bacanas e tbm aquelas q só por Deus…a gente se choca com a dureza e tbm frieza desse povo,mas aprendemos em lições duras a proteger melhor o coração…como brasileiros a gente chega aqui de coração abertoooo, não é? Moro perto de Luzern, cidade linda, mas no cantão Aargau, já ouviu falar?
Gostei mto da sua forma de escrever e descrever sobre as coisas q sente.
Quero deixar um forte e caloroso abraço pra vc
Luiza