Férias do blog

Quantas coisas será que conseguimos fazer ao mesmo tempo? Eu tenho a ilusão de que consigo fazer tudo. Estou na mesa do escritório olhando minha to-do list, mas a danadinha só cresce a cada dia. Pânico! Consigo riscar uns três itens, mas acrescento uns cinco logo em seguida. Hummm, a conta nunca fecha e essa balança parece não estar a meu favor. Aliás, “balança” é uma palavra que me dá até arrepio. Estou imensa! Essa semana recebi um email de uma pessoa que leu algum dos meus posts antigos sobre minha luta contra a balança e perguntou se consegui emagrecer. A resposta é depende.

Sim, consegui voltar ao meu peso e no mesmo mês resolvi engravidar. Bingo, fizemos mais um baby e a balança subiu novamente. Meu problema nunca foi durante a gravidez, mas sim  depois. E agora, um ano inteiro já se passou, meu filho começou a andar essa semana e estou mais pesada do que quando estava com o barrigão de 8 meses (sim, mais um bebê prematuro). Parabéns, voltei à estaca zero.

Bem, não foi para isso que comecei a escrever este post. Muita coisa aconteceu nesses últimos anos. Profissionalmente e pessoalmente. Não sei nem por onde começar… em meio a duas profissões, estudo, maternidade, vida de esposa e trabalho voluntário, quando me lembro tento respirar. Mas mesmo sufocada, depois de muitos anos fazendo terapia e mais alguns dando terapia estou chegando à conclusão de que sou assim mesmo. Melhor abraçar minha complexidade. Não concluo nada, não digo não pra nada, só vou agregando, aumentando, somando. E vou deixando pelo caminho começos e meios. Estou sempre almejando o fim, mas… sou uma colcha de retalhos e quando um projeto deslancha já quero outro.

E assim, da paixão de escrever, da fascinação pela maternidade e do amor (sim!!) pela Suíça nasceu outro projeto, ao qual venho me dedicando desde o ano passado. Depois da minha primeira gravidez passei a exercitar o desapego. E com a segunda a palavra-chave é prioridade. Então, como não posso me duplicar, triplicar ou multiplicar, preciso reduzir. Por isso decidi tirar umas férias “oficiais” do meu blog e ver onde consigo depositar minhas últimas gotinhas de energia. 😉

Isso não é um adeus, mas um até logo!

Obrigada e beijos com muito carinho.

Escalando a pirâmide social

Antes de me mudar para a Suíça fui visitar, com o meu então namorado, apartamentos para alugar. Não tínhamos muita ideia de preço, então com o budget baixo que definimos conseguimos visitar lugares com quarto sem aquecedor, um apartamento dividido pela escadaria do prédio (imaginou ir ao banheiro no meio da noite de pijama e cruzar com seu vizinho?), lugar sem janela na sala e por aí vai. Mas eu comecei a ficar preocupada mesmo quando em um dos apartamentos nos foi dito que não poderíamos tomar banho de noite para não incomodar os outros moradores. Oi?? Eu ouvi direito??? Sorry, mas ninguém vai me dizer que horas posso tomar banho, ou se posso ou não dar descarga de noite. Meus amigos daqui que me perdoem, pois alguns deles moram em prédios assim, antigos, onde a isolação é precária e se ouve tudo. Mas para mim isso era no-go.

Ainda assustados continuamos nossa busca e me deparei com outra dificuldade: a lavanderia. Em um apartamento me disseram que eu poderia lavar roupa uma vez a cada vinte dias. Repito: uma vez a cada vinte dias!! Medo. Impossível que isso seja verdade. Mas é.

Retornei para o Brasil e incumbi o meu então noivo de achar um apartamento onde eu pudesse fazer xixi de noite, tomar banho quando quisesse e não precisasse usar roupas sujas e fedidas por três semanas a fio. Ele teve que aumentar o budget, mas finalmente achamos nosso lar-doce-lar. E assim começou minha vidinha por aqui. Feliz da vida eu podia lavar roupa uma vez por semana, por dois dias consecutivos. Mas nem tudo era perfeito… tínhamos uma lavanderia coletiva.

Um dia saímos de manhã e demoramos um pouco para voltar. Como era o dia de outra pessoa lavar o dono do prédio (e também zelador) entrou em pânico e recolheu e dobrou toda nossa roupa, incluindo minhas calcinhas. Óbvio que passei a secá-las na secadora. E decidi imediatamente que precisava melhorar de vida: precisava de uma máquina de lavar só minha.

Mudamos para Zurique e consegui subir mais um degrau na pirâmide social. Continuava frequentando a bendita lavanderia comunitária, mas dessa vez cada apartamento tinha sua máquina de lavar e secadora. Um sonho! Só compartilhávamos a sala de secar. Classe média, não? 😉 Me esbaldei lavando roupa sempre que queria, sem ter que pedir permissão para ninguém. E sem me preocupar com barulho, pois as máquinas ficavam no porão, dois andares antes de chegar ao primeiro apartamento do prédio. Mas a vida continua e depois de três anos subindo e descendo diversos lances de escada (mentira, tínhamos elevador), voltei a querer crescer. Passei a desejar uma máquina de lavar dentro da minha própria casa.

E consegui! Viva o “reduit”!! Para quem não sabe, “reduit” é um quartinho sem janela, que funciona como depósito, lavanderia e quarto dos milagres. Como muita coisa por aqui, às vezes é estranhamente posicionado em algum lugar da casa. Mas não tem problema. É simplesmente um salvador de vidas. Alguém vem te visitar e você não sabe o que fazer com tudo o que está espalhado no chão? É só chutar para o “reduit”. Quer lavar roupa dia e noite? É só ligar a máquina e fechar a porta do “reduit”. Seu filho não para de chorar? É só colocá-lo no “reduit” e se sentar na sala para assistir TV. Hehehehe. Mentira. Mas juro que amo tanto o meu “reduit” que pensei em transformá-lo em um mini home-office para que cada um dos meus filhos durmam em um quarto separado. Enquanto não encaro esse projeto, curto o meu “reduit” para lavar tranquilamente as roupas na minha própria máquina de lavar. Depois seco o que quero na secadora e saio sorrindo pela casa. Classe média alta, não?

DSC_0055E o luxo não para por aí não… recentemente eu fiz um upgrade no nosso “reduit” e coloquei um varal. Fala sério!!! Um varal! Fiquei tão feliz que quase chorei. Abandonei de vez aqueles varais medonhos de montar que todos por aqui conhecem muito bem. Aquele treco feio que fica no meio do quarto, no canto da sala, no corredor etc. Qualquer lugar é lugar para se montar esse varalzinho e quando pensamos que a roupa já está seca e vamos finalmente guardá-lo atrás da porta lá vem outra máquina para ser estendida. Bem, agora meus problemas terminaram. Seco o que dá na secadora e o que não quero que encolha ou estrague penduro no varal e fecho a porta do “reduit”. Chique, né?

Mas como era de se esperar a vida segue. Continuo com minhas visões do futuro e não quero parar por aí. Minha próxima casa tem que ter, além de máquina, secadora e varal, um tanquinho também. Assim posso subir finalmente para a classe social mais alta e parar de lavar roupa de mão na banheira. Mas rica mesmo só quando eu tiver tudo isso e ainda sobrar um dinheiro extra no fim do mês para mandar as camisas do meu marido para lavar e passar. Daí ganhei na loto!!

Japa em Zurique

Engraçado falar isso, mas uma das coisas que mais sinto saudades do Brasil é de comida japonesa. Fazia parte do meu programa semanal comer no rodízio japonês com o pessoal do trabalho e de 2005 a 2008, período em que morei perto de Basel, quase tive uma crise de abstinência. Não sei se não soube procurar os lugares certos, se esses lugares não existiam ou se estava meio anestesiada e desanimada com a cidade em uma espécie de coma, que até achar um restaurante japonês legal se tornou missão impossível para mim. Naquela época me entupia de comida japonesa quando ia para o Brasil, tentando de forma desesperada fazer um estoque para aguentar o tempo de “estiagem” nos meses que se seguiriam aqui no país dos queijos e relógios.

Me lembro de ter feito promessas de preparar comida japonesa em casa e cheguei até a me equipar com utensílios do bairro da Liberdade, incluindo uma faca super afiada para cortar o peixe como profissional. Fiz até um curso a jato em São Paulo. Fiquei radiante quando fui convidada por uma colega de trabalho suíça para comer na casa dela os sushis maravilhosos que o namorido dela preparava. Tudo de bom para as invenções dele, que até morango tinham!! Nunca vou me esquecer do jantar maravilhoso que eles prepararam, de ter jurado para mim que nunca moraria em uma casa como a deles – no meio do nada e perto das vaquinhas – e de ter sujado a toalha de linho branca dela com molho shoyo depois de ter bebido vinho em excesso.

Em 2008, já em Zurique, voltei a viver e redescobri o mundo da culinária japonesa. Deus ouviu minhas preces e bem em frente ao meu apartamento uma luz surgiu no meu caminho: Kay Sushi Bar. Pequeno e charmoso, logo de cara virou meu bat-local. Atenção: todos os sábados eles têm “Sushi à discrétion”, o bom e velho “all you can eat”, com reserva antecipada. Durante os anos em que morei por lá gastei boa parte do meu salário em sushi. Minhas amigas do trabalho até perguntavam se eu tinha participação no restaurante, hehehehe. A sobremesa de panacota é bem gostosinha e dá para sentar no lado de fora e curtir o solzinho no verão. Bons tempos e boas memórias.

Traí o Kai com o Negishi Sushi Bar, que tinha acabado de abrir na Bahnhof Oerlikon. Eles também ofereciam pratos feitos para take away. Rápido, prático e gostoso. Mudei de bairro e passei a frequentar o Negishi na Badenerstrasse. O restaurante está sempre cheio, tem sushi bar e também a la carte. Na parte de trás dá para se sentar em um jardinzinho bem gracinha. Foi lá que provei minha primeira Bento Box. Provei e amei. O edamame também é uma delícia e de vez em quando passo por lá só para comprar uma caixinha, que como ainda dentro do tram a caminho de casa. O Negishi é uma rede e tem outra unidade também em Niederdorf.

Mas se você está em busca de qualidade mesmo, nada se compara ao Samurai. Uma delícia! Feinho e pequeno, nunca entraria se não tivesse sido altamente recomendado pela comunidade japonesa local. Mas ainda bem que acredito que quem vê cara não vê coração e decidi entrar. Não é nada barato. Fui duas vezes e me esbaldei nas barcas fantásticas que eles servem, acompanhada de um maravilhoso saque, é claro. Eles abriram uma segunda unidade, o Samurai II, perto da Stauffacher, mas ainda não fui.

Outro restaurante top que vale a visita é o do Hotel Hasenberg. Meu marido me levou uma vez para comemorar meu aniversário, e segundo ele é um dos melhores restaurantes japoneses da região. Eu acreditei, pois a comida era divina. E o ambiente também bem legal. É caro, portanto melhor deixar para uma ocasião  especial. Também é mais longe. Mas vale a pena provar.

Provei outros restaurantes sem graça e também o Bimi, perto de Bellevue. Achei muito caro para o que oferecem. Muito melhor é o Barfüsser, também em Niederdorf. Ótima relação custo-benefício e clima descontraído. Fui algumas vezes com umas amigas e é ótimo, pois uma delas conhece super bem o menu e faz umas combinações bem inusitadas. Infelizmente eu sou daquelas que precisa sempre de fotinhos… hehehe.

Meu sonho de consumo é o Sala of Tokio. É provavelmente o restaurante japonês mais caro da cidade, com 16 pontos Gault & Millau (2014) e o 12nd no ranking dos melhores restaurantes do estado de Zurique. Deve valer a visita, não? Acho que vou pedir de aniversário…

japaEnquanto isso mato minha vontade com “rapidinhas” no supermercado mesmo. Nas grandes unidades do Coop e Migros eles também vendem caixinhas de combinados de sushi. Os do Coop são medonhos: duros, gelados e com gosto estranho. Mesmo deixando fora da geladeira como recomendado são terrivéis. Saia correndo! A única coisa que salva é o potinho de edamame, que colocado por um minutinho no microondas para esquentar fica saboroso. Agora as caixinhas do Migros caem muito bem. Gosto das de atum/spyce tuna. Dá pra comer na pracinha, no tram, em casa… Humm! Hoje mesmo passei por lá a caminho de casa 😉

Estou sempre procurando novas opções e essa semana recebi a recomendação de uma colega de trabalho de um restaurant em Uster, que quero provar: Ichiban178. Ela me disse que tem um dia em que é all you can eat… já estou com água na boca!! :))

Se alguém tiver mais recomendações, mande pra mim! 😉

São Paulo na balança

Acabei de retornar do Brasil, depois de cinco semanas. Amei e odiei muitas coisas…

spAmei passar cinco semanas em São Paulo. Amei ficar com meus pais, conversar com meus pais, abraçar meus pais, brigar com meus pais e reclamar dos meus pais. Amei ver como eles curtiram os netinhos e amei poder deixar as crianças com eles para fazer uns poucos programinhas a dois com meu marido (uma das vantagens de não poder amamentar é que mamadeira não tem dono).

Amei poder contar com a ajuda da nossa emprega querida com as crianças para eu poder ir ao shopping, academia ou dar uma dormidinha de tarde de vez em quando. Amei também não ter que lavar a louça, limpar a casa ou cozinhar. Amei fazer pé e mão no salão todas as semanas.

Amei passear com minha filha quase todos os dias no parquinho e amei ver como a cidade está mais verde e arborizada. Amei andar todos os dias a pé no meu bairro, mas odiei ter que fazer a maioria dos programas perto de casa por causa do trânsito infernal a qualquer hora do dia.

SaoPauloAmei passear nos nossos muitos shopping centers, mas odiei ver que os preços de tudo estão exorbitantes, com a tendência de continuar subindo. Odiei ver marcas internacionais que encontramos por aqui a preços normais sendo supervalorizadas no Brasil. Odiei não ter conseguido comprar quase nada, mesmo com a conversão da moeda a meu favor.

Amei assistir à abertura do desfile das escolas de samba de São Paulo de camarote. Odiei ver que a copa do mundo está fazendo os preços inflarem de forma descontrolada.

Amei levar minha filha ao teatro pela primeira vez e amei ver que os cinemas ainda mantêm o som original dos filmes, sem dublagem. Amei ouvir minha filha falando português e me chamando de “mamãe” ao invés de “mami” ou “mama”.

Odiei ver que muitos pais ainda não entendem a importância de se usar cadeirinha para transportar as crianças nos carros. Odiei ver também que os carros não param para atravessarmos as ruas nas faixas de pedestre e odiei ver as pessoas dirigindo com tanta impaciência e agressividade, especialmente os motoqueiros. Odiei voltar a ser dependente de carro e não poder usar o transporte público. Mas amei ver mais e mais bicicletas pela cidade.

Amei ver muitas latas para coleta de lixo reciclável espalhadas pela cidade, mas odiei ver que as pessoas misturam os lixos e jogam tudo muitas vezes na lata errada. Odiei ver que a lei do saquinhos de lixo em supermercados não foi adotada. Odiei ter que explicar para minha filha porque algumas pessoas dormem na rua e não em casas.

Odiei ver que as pessoas ainda não empacotam suas próprias compras no mercado nem limpam os aparelhos de musculação depois do uso. Faça você mesmo definitivamente não é um conceito muito difundido no Brasil e odiei ver que ainda dependemos muito da cultura de sermos “servidos”. Odiei ver como muitos pais estão delegando a educação de seus filhos para babás mesmo nos finais de semana e odiei ver algumas babás e empregadas serem tratadas com desrespeito.

Amei tomar suco feito na hora, com fruta fresca. Amei comer quindim, churrasco, feijão, chuchu, pastel, mandioquinha frita e muita comida japonesa. Amei tomar caldo de cana, açaí na tigela, frozen yogurt. Odiei ter comido tudo isso e ter engordado. Odiei ver que minha mãe continua cozinhando com colher de sopa, não importa quantas colheres de pau eu der para ela. Amei ter restaurantes abertos a qualquer hora do dia. Amei constatar que nossa caipirinha continua a melhor do mundo.

Odiei ver a quantidade absurda de violência na cidade e a exploração disso no “jornalismo” de mal gosto como Cidade Alerta. Odiei ver que a programação dos canais abertos está de mal a pior e que o BBB ainda existe. Mas amei assistir ao Esquadrão da Moda na TV e não pelo YouTube… hehehe.

Amei o calor e o sol. Amei colher frutas do pé na chácara. Amei tomar suco de carambola e comer doce de goiaba feito na hora.

Odiei ver que os preços dos iPhones e etc são ridiculamente altos e que sem eles você não é ninguém. Amei o app para chamar taxi em qualquer lugar da cidade com segurança.

Amei receber sorrisos gentis nas ruas, amei as pessoas fazendo brincadeiras com meus filhos de forma espontânea. Amei rever alguns amigos, abraçar pessoas queridas, ouvir vozes familiares. Odiei não poder subir no terceiro andar do prédio para visitar meu avô, pois ele não está mais entre nós.

Já estamos de volta em Zurique e eu poderia ficar aumentando essa listinha por muito tempo… mas depois de 30 “amei” e 22 “odiei” acho que está mais do que claro que vou passar o resto do ano contando os dias para minha próxima viagem ao Brasil!! 😉

Também quero um peito esnobe!

Estou matriculada em uma academia de ginástica em um shopping de São Paulo. Achei que isso me ajudaria a perder os quilos extra da gravidez, mas parece que esse peso adicional está bem apegado a mim. A única coisa que estou perdendo é o restinho de autoestima que ainda tinha…

Enquanto corro na esteira fazendo meu treino intercalado tenho a oportunidade de observar os outros alunos da academia e dar uma analisada na concorrência. E depois de três semanas frequentando essa unidade da Bioritmo preciso confessar que acho que é a academia com maior concentração de silicone por metro quadrado que já vi na vida.

A comissão de frente da mulherada é super turbinada e os peitos chegam a ser até esnobes de tão empinados.

Normalmente não sou muito ligada em decotes alheios, mas é praticamente impossível não notar a quantidade imensa de seios esculpidos desfilando na sala de musculação. Chega a furar os olhos. Talvez seja pura inveja, visto que meus peitos pós-gravidez estão, digamos, meio tristes e vesgos… Por isso e por mais uma listinha de outros “defeitos” venho pensando seriamente em um mami-makeover quando perder os muitos quilos extras que insistem em se alojar nas minhas células gordurosas.

Esses dias vi na academia uma mulher por volta dos seus cinquenta anos com maçãs do rosto gigantescas, olhos excessivamente esticados e lábios deformados. Dava para ver que ela tem muita experiência na mesa de cirurgia, apesar dos poucos benefícios estéticos que obteve. Se ela tinha seios turbinados? Óbvio! Imensos. Mas ela é a prova viva de que é preciso muito respeito e cautela antes de marcar qualquer procedimento cirúrgico ou estético. Além de muito cuidado na hora de escolher um peito para chamar de seu!

Descobri por que estou gorda

Sou especialista em refletir. Tenho o hábito irritante de fazer autoanálise constante. Penso sobre tudo. Penso sobre todos. Ultimamente tenho passado grande parte do meu tempo tentando entender por que não consigo emagrecer. Faz três meses que tive um bebê e o ponteiro não desce. Pelo contrário. Desde que meu avião pousou em São Paulo o ponteiro da balança só sobe. Culpa da cidade, certo? Hehehe, culpar alguém ou algo é sempre mais fácil!

Adoro culpar a Suíça. Sempre falo que se tivesse ficado em São Paulo isso não teria acontecido. Quando canso de falar isso culpo o casamento. Se tivesse ficado solteira estaria magrinha. Culpo também a falta de tempo. Se tivesse tempo seria rata de academia. Quando preciso de uma nova justificativa culpo a gravidez. Se não tivesse tido filhos seria sarada, gostosa, linda. Já tentei culpar também minha herança genética, meu metabolismo e minha tireóide…

Faz quase nove anos que moro na Suíça e faz quase nove anos que me vejo presa no efeito sanfona. Ganho e perco peso o tempo todo. Passo fases comendo sem parar e outras parando totalmente de comer. E assim vai passando o tempo e eu acabando com a saúde do meu corpo, destruindo meu estoque muscular, aumentando minha flacidez e desregulando meu metabolismo. A última vez que fiz um exame de bioimpedância constatei que 1/3 do meu corpo era gordura pura! E isso faz muuuuito tempo…

Essa semana, conversando com meu primo, tive um insight. Enquanto estávamos todos na mesa comendo o lanchinho da tarde, ele, muito sabiamente, falou que comemos muito mais do que na realidade precisamos. Pronto, entendi por que estou gorda: estou gorda porque como demais!

É duro admitir, mas eu como demais mesmo. Como porções imensas, como com os olhos, lambo os dedos, raspo o prato. Odeio dividir sobremesa, faço escolhas erradas, gosto de tudo o que é gordo, doce, pesado e suculento. Como tudo o que vejo pela frente, como o que tem na geladeira, como os estoques do armário, saio para comer fora. Como frustração, tédio, tristeza e raiva. Mas também como alegria e comemoro comendo. Oops, não posso esquecer que como também por solidariedade, afinal não é justo alguém comer sozinho, né?

Por que os gordos têm dificuldade de assumir o óbvio? Somos gordos porque comemos demais! Mas reconhecer isso significa assumir a responsabilidade pelos nossos atos, nossos corpos, nossa saúde. Requer mudança, requer sair da zona de conforto. E isso dá muito trabalho!

Alguns gordos ou obesos têm realmente problema de saúde que dificulta a perda de peso. Mas para falar a verdade a grande maioria é como eu. Falta mesmo é vergonha na cara e motivação. Somos gordos porque queremos.  Escolhemos não abrir mão do prazer imediato da comida em prol do prazer de ficarmos felizes com nossos corpos. Simples assim.

Essa semana me registrei em um site on-line de dieta. Meu esforço durou um dia. Ontem fui no bar de uma amiga e além de duas batidas de coco e três caipiroscas de kiwi (!!!!) me joguei nas porções de petiscos maravilhosas (!!). Preciso ainda refletir para tentar entender por que meu peso só aumenta??

Pré-pago

Nunca pensei que fosse tão difícil comprar um chip pré-pago para um celular antigo. Posso estar bem neurótica, mas fiquei com medo de ser assaltada usando meu iPhone então decidi resgatar da gaveta um Samsung velhinho e comprar um chip pré-pago para usar em São Paulo.

Duas semanas depois estou finalmente com meu celular funcionando, mas mal sabia eu que seria uma longa jornada em busca do meu tão sonhado número próprio…

Fui em um shopping tentar comprar meu chip. Shopping “chique” – erro número um! Como não tinha preferência por nenhuma operadora fui primeiro no Vivo. Depois de uns cinco minutos esperando fui informada de que aquela loja da Vivo não oferecia esse serviço e fui encaminhada para outra loja da mesma operadora no shopping. Nem consegui pegar senha, pois o atendente responsável estava dando consultoria para uma cliente e após 15 minutos de espera desisti.

Parti para a Tim, ainda no shopping. Expliquei que precisava de um chip pré-pago para um telefone antigo. O atendente completamente desmotivado (já era 21h) me mandou perguntar na Saraiva.

Voltei da Saraiva já irritada, pois lá só tinham chips para iPhone. Será que sou a única que ainda quer usar celular normal?

O mesmo atendente da Tim me deu uma senha e foi conversar com um colega. Voltou rindo e falou que lá na loja eles também só tinham chip para smartphones e me sugeriu as Lojas Americanas ou banca de jornal. Ele estava literalmente achando graça daquilo tudo e me destratando, pois onde já se viu alguém ter a coragem de, naquele shopping, querer chip pré-pago para celular antigo? Pelo visto eu não valia nem o atendimento.

Ele só parou de rir quando eu falei que não queria um chip para usar no meu iPhone 5s pois preferia manter meu chip internacional nele. Pronto, virei gente digna de ser tratada com respeito. Não sei o que foi mais ridículo, ele me tratar bem depois que falei isso ou eu ter falado isso para ser bem atendida.

No dia seguinte fui nas Lojas Americanas e comprei, finalmente, meu chip. Não sem antes presenciar uma tentativa de furto na loja. Mas isso foi detalhe…

Bem, estou agora acessível e me sinto novamente “local”. É uma sensação gostosa ter novamente um número nacional, após nove anos! Só preciso reaprender a usar o celular antigo, que parece complexo demais para meus dois neurônios 😉