Mami-Monstro

Quanto mais buscamos a perfeição mais ela foge da gente.

Minha filha já está com quase um ano e meio e de uns tempos para cá venho percebendo como ela está tentando me manipular. Ela começa com sorrisos dengosos, faz carinho, arrisca uns sonzinhos e se recebe uma resposta negativa vai mudando de tática: começa a tossir e fingir que está engasgando, atira objetos, se joga no chão, grita, chora e até bate. Está testando os limites.

Pensei em buscar dicas em livros ou sites, mas desisti. Vou seguir meus instintos mais uma vez.

Eu costumava seguir regras para tudo e planejava todos os passos em detalhes. Mas na metade da gravidez, quando as estrias começaram a invadir minha barriga, comecei a questionar se tinha sentido deixar minha vida ser guiada por um manual de instruções. Para minhas estrias nem óleo de amêndoas, cremes, tratamentos ou reza adiantaram. A palavra de ordem foi aceitação. E assim, pouco a pouco fui estendendo esse conceito para outras áreas da vida e passei a aceitar melhor a imperfeição de ser eu mesma. E não é que eu estou gostando? A essa sensação dei o nome de “liberdade”.

Mas essa “liberdade de ser imperfeita” não é fácil de ser aplicada quando o assunto é maternidade. Mamães podem ser mais cruéis e competitivas do que top models… quem é mais bio? Quem é mais saudável? Você não prepara em casa a papinha do seu filho? Quem tem os filhos mais educados? Seu filho ainda não fala? Seu filho já tem um ano e três meses e ainda não anda? E por aí vai…

É muito fácil se sentir pressionada a se encaixar no modelo de “Mamãe Perfeita”. Eu tinha essa ilusão no começo, mas cansei e acabei relaxando. Para muitos, então, acabei sendo classificada como “Mami-Monstro”:

  • No sétimo mês de gravidez minha filha passou a receber doses massivas de Starbucks por dia, pois eu simplesmente queria comer doces o tempo todo
  • Entrei na cesariana por livre escolha e fui quase crucificada
  • Não tive leite e dei mamadeira desde o hospital. De louca e inconsequente por ter feito cesárea passei a ser uma aberração. E minha filha uma coitada.

Em meio a muita culpa, julgamento e reflexão pensei em voltar atrás e seguir as regras novamente. Mas ainda bem que não consegui… hehehe

  • Minha filha começou na creche aos quatro meses de idade (quase um crime por aqui)
  • Ela comeu muita papinha industrializada de bebês, pois eu nem sempre tinha paciência para preparar as papinhas dela todos os dias (hoje ela come desde pepino e morango até comida tailandesa e tortilhas)
  • Acho a chupeta uma das melhores invenções do mundo
  • Quando não tenho paciência para brincar no chão da sala ou quando quero usar o computador ligo sem culpa a TV e minha filha dá risada assistindo desenho. Pena que por pouco tempo…
  • Só saio de casa se o tempo está bom, contrariando as recomendações suíças de que as crianças precisam de ar fresco todos os dias (para isso abro todas as janelas da casa). E por aí vai…

Não que eu queira contrariar as “regras”. Mas passei tantos anos tentando me encaixar nos modelos da sociedade, que agora que não caibo mais nas minhas roupas antigas resolvi também deixar para trás outras “formas”. Ainda estou uns quilinhos mais gorda, mas muitos quilos mais leve. Se você quer ser a “Mamãe Perfeita”, boa sorte. Eu prefiro viver a liberdade de ser uma Mami-Monstro feliz 🙂

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6 comentários em “Mami-Monstro

  1. Achei otimo o texto. Acho que você tem toda a razao da competitividade das maes e das mamaes quererem ditar o que é certo ou errado. Nao esqueça que as mamaes daqui nao trabalham, vao tomar cafezinho e comprar roupinha da moda pra elas e pros bebes. Sera que isso tambem é sensato? Ter roupinha da burbery pra pimpolha? Enfim, o ideal seria que cada um fizesse o que quisesse e nao criticasse as escolhas dos outros. Lei de Murici: cada um cuida de si.
    Beijao

  2. Sei o que vc passa e sente pois como vc eu tambem moro na Suiça, trabalho 100% e nao consigo ou quero ser igual as maes Suiças. Como vc disse mesmo, essa pressao, essa cobrança, de ser a mae ideal, a mae modelo, è um peso mesmo! Ate agora deu tudo certo, as crianças estao crescendo bem e feliz. Eu tambem to satisfeita, mais ainda nao consegui mudar muito bem a minha cabeça. As vezes me sinto tao culpadaaaa!!! Por isso que fiz o meu blog, para poder desabafar um pouco.
    Um abraço.
    Regina

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